RESOLUÇÃO POLÍTICA

12 de fevereiro de 2026
Bandeira da Unidade Popular escrito 'O Partido Antifascista do Brasil' em frente ao Museu Nacional da República, em BrasíliaBandeira da Unidade Popular escrito 'O Partido Antifascista do Brasil' em frente ao Museu Nacional da República, em Brasília

Diretório Nacional da Unidade Popular (UP)

O Diretório Nacional da Unidade Popular pelo Socialismo (UP), reunido em São Paulo(SP), nos dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro de 2026, com muita unidade e espírito revolucionário, aprova a Resolução política:

Conjuntura

A crise geral do sistema capitalista na sua fase imperialista, faz com que todas as contradições do sistema se aprofundem, em especial: a contradição entre as principais potências imperialistas, entre os países imperialistas e os países dependentes e entre o capital e trabalho.
A consequência principal destas contradições e da dominação capitalista é o aumento brutal e violento da exploração sobre a classe operária, do conjunto das massas trabalhadoras, o aumento da violência contra as mulheres, o povo negro e a retirada de perspectivas para a juventude, ameaças aos direitos dos povos, destruição da natureza e a intensificação das guerras imperialistas.

Internacional

“…Os exércitos que se confrontarão no futuro serão tão poderosos que, comparadas com a próxima guerra, todas as guerras passadas foram brincadeira de criança.”
Friedrich Engels
entrevista concedida em 1883
ao Jornal The Daily Chronicle.

Os grandes monopólios capitalistas, a oligarquia financeira e seus governos promovem a maior guerra comercial da história. Os Estados Unidos, maior potência imperialista, tenta conter a sua decadência e superar seus concorrentes chineses, russos e europeus por meio de uma escalada autoritária e violenta: bombardeio do Irã; invasão e sequestro do presidente Nicolas Maduro e da deputada federal Cilia Flores, na Venezuela para se apropriar do petróleo do país; tentativa de anexação da Groenlândia para dominar suas riquezas naturais e minerais raras; interferências, inclusive com ações militares, no território da Síria, são exemplos disso. Não bastasse, apoia as agressões do estado nazista de Israel contra o povo Palestino para ocupar o território e se apropriar das riquezas dos palestinos, assim como, as agressões contra o Líbano e a Síria.
A base do conflito entre as potências, levada às últimas consequências através das guerras de rapina, tem como objetivo a dominação de mercados e se apropriar das matérias-primas dos países, como ocorre com a guerra da Ucrânia, expressão da disputa entre a Rússia e seus concorrentes europeus, cuja maior vítima é o povo ucraniano, já oprimido pelo governo nazista a que estão submetidos em seu país.
Mas, os povos do mundo inteiro promovem grandes manifestações contra essas agressões, inclusive em dezenas de universidades norte-americanas, ocupadas pela juventude com gigantescas manifestações contra o massacre genocida em Gaza. Graças a esse avanço da mobilização, países como França e Espanha reconheceram o Estado Palestino, mostrando que vale a pena lutar.
A luta contra o imperialismo se desenvolve e em todos os continentes há uma importante reação da classe trabalhadora. Massivas mobilizações, greves e levantamentos populares se produzem contra as políticas de ajuste implementadas pelos governos da burguesia, sejam estes liberais, neoliberais, socialdemocratas ou “progressistas”. Em 2025 aconteceram greves gerais na Itália, França, Portugal, Índia, Argentina e uma combativa e pujante greve geral na Bolívia no início deste ano. Também temos visto a resistência e crescentes protestos contra as ações nazistas da polícia de imigração dos EUA.
Essa situação exige que nosso partido se comporte à altura do seu compromisso internacionalista, promovendo inúmeros atos e manifestações de rua, vigílias em frente aos consulados e a embaixadas dos Estados Unidos, defendendo a soberania e autodeterminação dos povos, as vidas e o direito do povo Palestino de terem o seu país e ocuparem seus territórios, assim como, denunciar todas as agressões do imperialismo ameaçando a paz mundial.
Precisamos dar continuidade as denúncias do que representa o imperialismo para o povo brasileiro e para os povos do mundo.

Brasil

No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 40% dos trabalhadores não têm direito a férias, 13º salário, licença-maternidade, creche e trabalham sem carteira assinada; além disso, 16% dos trabalhadores trabalham de modo intermitente e, por isso, trabalham menos horas do que necessitam para sobreviver. No que se refere aos empregos criados no último período, a verdade é que 72,5% recebem até 1,5 salário-mínimo e a imensa maioria da classe trabalhadora sofre com condições degradantes de trabalho, marcadas por extensas jornadas e baixos salários.
Já os banqueiros, através do domínio que exercem sob o estado, ganham fortunas com as altas taxas de juros e não satisfeitos, promovem fraudes bilionárias enganando milhares de pessoas como o caso do Banco Master, do bilionário Daniel Vorcaro, amigo e sócio de pessoas ligadas a autoridades do judiciário, legislativo e executivo, demonstrando a atualidade da afirmação de Karl Marx que a burguesia transforma o Estado em seu balcão de negócios. O orçamento Federal de 2026* (de R$ 6,34 trilhões de reais) destina para a dívida pública R$ 1,82 trilhão, enquanto para a saúde, apenas R$ 271,3 bilhões e para educação R$ 233,7 bilhões. O agronegócio e as mineradoras também não tem o que reclamar: o governo continua destinando dinheiro para os ricos por meio de renúncia fiscal e programas de financiamento.
Essa mesma política de conciliação de classes se repete no Congresso Nacional e na composição dos ministérios, com acordos para eleição da mesa diretora e cargos de ministro para políticos que apoiaram o governo fascista de Bolsonaro e o golpe de Temer. Mas, o aprofundamento da crise capitalista e da luta de classes em nosso país também produz manifestações como as lutas pelo fim da escala 6×1, a greve dos petroleiros e dos trabalhadores dos correios, as jornadas de luta contra a fome e por moradia, e, as lutas de estudantes, servidores e professores contra os cortes de verbas para a educação pública, como mostra o atual estado de greve dos técnicos administrativos das universidades e Institutos Federais. Na fábrica chinesa da BYD na Bahia, flagrada submetendo os trabalhadores a condições análogas à escravidão, os operários responderam com uma grandiosa greve organizada pelo Movimento Luta de Classes. As mulheres, vítimas da pior epidemia de crimes de feminicídio e violência, tem respondido com jornadas de lutas e grandes mobilizações.
Nem mesmo a ameaça de volta da ditadura militar foi capaz de fazer a luta recuar, pelo contrário: as mobilizações populares impediram a aprovação de leis que beneficiavam golpistas como a chamada PEC da Anistia e PEC da blindagem e conseguiram colocar na cadeia Generais golpistas e o ex-presidente fascista Bolsonaro!
Nosso papel, portanto, é lutar contra todos os efeitos nocivos que o capitalismo despeja sobre a classe trabalhadora, participar ativamente das campanhas salariais e das greves, organizar os sem-teto, a juventude e as mulheres nas suas lutas e reivindicações, combater a violência policial e o racismo que promove o extermínio da juventude preta e pobre nas periferias, enfim, fundir a atividade do nosso partido com as lutas!

“Nenhum dos nossos candidatos tem obrigação de apoiar algum partido
ou alguma medida, a não ser o programa do nosso partido”
Friedrich Engels
entrevista concedida em 1883
ao Jornal The Daily Chronicle.

Para difundir amplamente o nosso programa socialista, cuja primeira exigência é a socialização dos meios de produção, nosso partido deve promover uma grande campanha de filiação e de organização de núcleos para termos um partido em condições levar à prática uma campanha presidencial de luta, que leve perspectiva aos milhares de explorados e oprimidos, tendo a nossa companheira Samara Martins como nossa pré-candidata à presidente da República! Essa imensa tarefa exige trabalharmos com mais dedicação na construção do partido.
A situação do país exige um partido que desmascare as mentiras do fascismo e mostre que não se pode ter ilusão com os ricos e as classes dominantes do nosso país. Somente a UP pode cumprir essa tarefa no momento atual, por isso, vamos à luta. Mãos à obra camaradas!

Diretório Nacional da Unidade Popular pelo Socialismo,
São Paulo/SP, 1º de fevereiro de 2026

Nota:

  • Lei Orçamentária Anual (LOA) – Lei 15.346, de 14 de janeiro de 2026 – Anexo I – Receita dos Orçamentos Fiscal e da Seguridade Social por categoria econômica e Origem.