Para o Brasil ser independente precisamos combater o imperialismo
Apesar de ter declarado sua independência em 7 de setembro de 1822, o Brasil segue subordinado às potências imperialistas mundiais. As consequências afetam a vida do nosso povo: o país exporta minerais e produtos agrícolas enquanto 6,48 milhões de pessoas passam fome (IBGE,2024).
Há um crescimento da agropecuária e da extração de minérios. Mas, como a produção é voltada para exportação, valiosos recursos deixam de servir à melhoria das condições de vida da população.
O peso da indústria no PIB brasileiro teve uma redução de 25% entre 1985 e 2025 (FSP, 14/02/2026). A economia está subordinada aos interesses do capital financeiro, dos monopólios e cartéis internacionais. Os lucros com juros, dividendos e aplicações financeiras já superam os do comércio e da indústria.
Os juros da dívida pública comprometem 42,2% do orçamento do governo federal e, a cada 1 ponto percentual de aumento na taxa Selic, o gasto com a dívida cresce R$ 55 bilhões. É dessa maneira que a autonomia do Banco Central fortalece o papel dos banqueiros.
Os bancos possuem 32,8% dos títulos da dívida interna e a presença do capital internacional no sistema bancário não é irrelevante: o Bradesco tem 45,7% do capital ordinário com investidores internacionais e o Banco do Brasil tem 30% das suas ações nessa mesma situação.
As empresas dos EUA enviaram para suas matrizes US$ 54 bilhões em lucros e dividendos1, com o privilégio de não pagarem imposto de renda aos cofres públicos brasileiros. Uma verdadeira sangria dos recursos produzidos no país.
Segundo a Associação de Comércio Exterior do Brasil, entre 60% e 70% das exportações são realizadas por empresas de capital estrangeiro. Mais: dos 500 monopólios internacionais existentes no mundo, 382 atuam no Brasil e 4.686 empresas dos EUA estão instaladas no nosso país (FSP, 20/07/2025).
As relações comerciais são marcadas pela dependência econômica
As relações comerciais são marcadas pela dependência econômica
O comércio entre o Brasil e os Estados Unidos chegou a US$ 81 bilhões em 2024, destacando-se commodities como petróleo, aço, ferro, café, carnes e suco de laranja (O Globo, 09/07/2025).
Em 2025, o Brasil arrecadou US$ 171 bilhões com exportações para a China. As relações com o gigante asiático se consolidaram nos últimos anos, sendo responsável por 27,2% de todo o comércio exterior brasileiro.
Desde 2024 o Brasil se tornou o maior fornecedor de carne bovina, aves, soja, celulose e açúcar aos chineses. O petróleo bruto foi responsável por 21,2% do comércio entre os dois países.
A quantidade de empresas chinesas no Brasil é expressiva: são mais de 200 empresas de grande porte e 853 empresas no setor comercial (Estadão, 12/07/2025). Não existem dados públicos sobre remessas de lucros. Entretanto, não há dúvida de que a ampliação da sua participação no mercado obedece à busca pelo lucro e que a qualquer momento, esses lucros podem ser enviados para suas sedes.
Os investimentos diretos no Brasil cresceram 113% em 2024 e 45% em 2025. A China anunciou 39 projetos recordes, concentrados em mineração, energia e petróleo, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (O Globo, 04/09/2025).
As relações entre os dois países não diferem das demais potências capitalistas, e esse padrão aprofunda a desindustrialização do país. Um exemplo é o aço comprado da China, que registrou um crescimento de mais de 70% em dois anos, superando a marca de 6 milhões de toneladas em 2025 e atualmente representa 30% das vendas internas.
O aço chinês recebe subsídios estatais e chega a um preço menor do que o custo da matéria-prima nas siderúrgicas nacionais.
A consequência disso é a diminuição na produção em 13,5 milhões de toneladas. A queda no uso da capacidade industrial instalada é estimada em 40% de utilização, produzindo uma perda de 37,6 mil empregos. Os dados são do Instituto Aço Brasil (O Globo, 28/08/2025).
Petróleo e terras raras nas mãos dos estrangeiros
A Petrobrás, principal empresa brasileira, tem 63,4% das suas ações nas mãos de investidores privados, e 45% dos acionistas são estrangeiros.
Metade dos blocos de exploração de petróleo da Foz do Amazonas, leiloados em junho de 2025, foram arrematados por três monopólios estrangeiros, dois deles dos Estados Unidos.
Quanto às terras raras, essenciais para tecnologia de ponta, o país possui a segunda maior reserva do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas. Isso representa 23% das reservas globais2. Apesar da sua importância, o presidente Lula declarou “Quem quiser ajudar a gente a fazer mineração e produzir riqueza com essas terras raras está convidado para ir ao Brasil” (G1, 07/05/2026).
Chineses avançam sobre ativos estratégicos
A CM Ports, uma das maiores operadoras de contêineres do mundo, adquiriu 70% do terminal de petróleo do Porto do Açu, responsável por cerca de 30% das nossas exportações de petróleo.
A Hulunbuir State Farm Group, estatal chinesa, obteve autorização para iniciar o cultivo de grãos no território brasileiro, violando a Constituição Federal que proíbe a aquisição de terras por estrangeiros.
Mas, há quem deposite no BRICS a esperança de uma alternativa anti-imperialista. Isso não passa de uma ilusão que precisa ser desfeita, afinal, como afirmou o professor da UnB José Luís da Costa Oreiro, o bloco consiste numa “briga de hegemonia” entre China e Rússia, contra os interesses dos Estados Unidos e Europa (G1, 24/10/2024).
O Banco do BRICS, apresentado como alternativa ao FMI e ao Banco Mundial, segue a mesma lógica de empréstimos como ferramenta para consolidar zonas de influência e como meio para interferir na política dos países.
Os defensores da teoria de “um mundo multipolar” acreditam na construção desse bloco como alternativa ao imperialismo dos EUA. Contudo, a formação de polos capitalistas alternativos não retira o seu caráter imperialista, nem tem o poder de livrar o mundo das consequências das disputas interimperialistas, que são as guerras.
O BRICS não é uma zona de paz
A realidade é que a China e a Rússia estão entre os países com maiores despesas na corrida armamentista.
A China tem o segundo maior orçamento militar do mundo, destinando US$ 336 bilhões para o setor3. Produz mais aviões de caça de última geração do que os Estados Unidos e seus aliados da região e prepara uma escalada pelo controle total de Taiwan.
A Rússia promove a guerra para anexar territórios da Ucrânia e compromete 7,5% do seu PIB, ou seja, US$ 190 bilhões no conflito. Em 2024, os gastos militares totais russos aumentaram 42%, chegando a US$ 462 bilhões (Valor Econômico,12/02/2025).
Enquanto o povo palestino é bombardeado pelo Exército israelense com o apoio dos EUA, os investimentos chineses em Israel chegam a US$ 19 bilhões no setor de tecnologia e projetos de infraestrutura. Desde 2020, a China se converteu no maior exportador de bens a Israel.
Tanto a China quanto a Rússia não estabelecem relações de cooperação solidária. Atuam para sua expansão econômica, para assegurar os lucros e ampliar os mercados dos seus próprios monopólios. Disputam zonas de influência e acesso a matérias-primas.
Os Estados Unidos, principal potência belicista, comprometem 3,5% do seu PIB com despesas militares para se apropriar das riquezas naturais dos países e controlar mercados por meio das guerras. Em 2025 seu orçamento militar foi de US$ 954 bilhões.
O imperialismo não é um novo modo de produção
Como ensina Lênin, o imperialismo capitalista não é um novo modo de produção, mas a fase superior do capitalismo com todas as suas características: propriedade privada dos meios de produção, exploração da classe trabalhadora pela classe burguesa, concentração e acumulação de capital.
A saída para o povo brasileiro não é buscar um maior protagonismo no BRICS ou escolher entre a subordinação a Washington ou a Pequim, pois, todos compartilham a mesma essência capitalista.
Para ser consequente na luta contra o imperialismo, não podemos nos contentar em opor um bloco a outro. É preciso buscar uma verdadeira alternativa e não procurar melhores condições no interior do próprio sistema capitalista, que é a raiz do problema.
Enquanto essa base econômica permanecer, os monopólios insistirão por todos os meios para que o Brasil permaneça como subalterno. É preciso fortalecer a luta anti-imperialista e contra todas as suas consequências, incluindo as guerras de rapina.
A Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxista-Leninistas tem toda razão ao afirmar: “Não importa quantas iniciativas o sistema social capitalista possa desenvolver, ele é incapaz de resolver os grandes problemas da classe operária, do povo, da paz e do meio ambiente, porque sempre será baseado no lucro, na exploração e no desprezo pela humanidade.”
A independência do Brasil depende da vitória do Socialismo
A alternativa para um desenvolvimento verdadeiramente soberano depende da conquista do poder político pela classe trabalhadora, da expropriação dos monopólios e da construção de uma economia voltada para melhorar a vida das pessoas e não para enriquecer um punhado de bilionários.
Não pode haver progresso, justiça e paz sob o imperialismo. É por isso que estamos construindo um partido anticapitalista, anti-imperialista e que luta pelo poder popular. Por isso, lutamos pela construção do socialismo. Junte-se a nós. Filie-se à UP e vote nas nossas candidaturas.
Thiago Santos,
membro da executiva nacional da Unidade Popular (UP)
- Os dados são da Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil). Refere-se ao período entre 2015 e 2024. ↩︎
- Fonte: edição de 2025 do Mineral Commodity Summaries (Resumos de Commodities Minerais 2025). Publicação do U.S. Geological Survey – USGS (Serviço Geológico dos EUA). ↩︎
- As informações são do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), conforme relatório divulgado em abril de 2026. ↩︎
