A PANTOMIMA DE FOICE E MARTELO

9 de junho de 2026

Natanael Sarmento¹

Farsantes

“Vaidade de vaidades, diz o pregador, tudo é vaidade”. A vaidade de pretensão de brilhar sua verve radical para inglês ver, no parlamento, produz milagres.
No espetáculo teatral da política burguesa, candidatos trocam de partidos como atores trocam os figurinos. Os oportunistas mudam de partido, os partidos mudam de nome, mas não mudam o roteiro degradante da política regida pelo “utilitarismo” desprovido de princípios.
No campo da direita e dos fascistas tais vícios e deformações são normatizados, banalizados.
No campo comunista autêntico, se combate todas as práticas antirrevolucionárias, de todas as vertentes ideológicas. Marx combateu Phoudon, Bakunin, Lassale e Bernestein. Lenin combateu o “renegado Kautsky”, Stálin combateu Trotski.

A história e a farsa

Segundo Marx “a história se repete, primeiro como tragédia, depois como farsa”. Lembramos da frase! Na política, tem coisa que nos dão sensação de déjà vu.
Fica a cargo do fino leitor decifrar a charada e identificar o tipo social não citado nominalmente. A carapuça dos fatos identifica o dono da cabeça.

O palco

O tipo social nasceu em Pernambuco. Viveu metamorfoses políticas nas ondas das conveniências pessoais.
Começou na militância ainda na universidade, de fervor crítico revolucionário juvenil. Discursos radicais o torna referência de setores da esquerda. Mas a história se encarregou de mostrar a falsidade dessa aparência. O radicalismo servia de vitrine e catapulta para projetos pessoais.
Tendo sido revelado nas categorias juvenis do PCB, avocava a “tradição revolucionária”. Porém, o prodigioso formulador se apresenta como atualizador do socialismo. Destaca-se pela verborragia radical. Cria legião de admiradores, mormente na juventude, meios artísticos e intelectuais das chamadas classes médias.

Tudo teatro…

Sucedeu das “sólidas” convicções do Manifesto Comunista se dissiparem no ar. A preservação do Partido, o compromisso com o coletivo e com a revolução não tem espaço com a pavimentação de carreira de “celebridade” da esquerda. Prevaleceu o ego, a vaidade e o personalismo.
Rachou e saiu do PCB. Fundou outro Partido para chamar de seu. Mas, também chutou o pau da barraca do novo ninho.
De tanto admirar a própria imagem no espelho se acreditou maior ou acima de partidos e coletivos. O criador rejeitava a criatura. Trocou de posição política como quem troca de camisa. Escondeu a foice e ao martelo. O personagem que fazia críticas à “esquerda domesticada e institucionalizada” durou o tempo de vida de uma mosca.
A bizarra farsa mal engendrada só ilude os ingênuos. Mas, arranca aplausos dos que assistem de camarote a luta de classes e por isso não enxergam as coxias do chão das fábricas, das ocupações, das greves operárias onde os verdadeiros comunistas travam suas lutas.
Decerto, no meio da juventude aguerrida que se sente traída e abandonada, se chorou o leite derramado. É claro que a vida segue.

Trampolim

Não adianta substituir atores, figurinos, se o foco do roteiro fica na ribalta eleitoreira dos Tartufos. Porque ao cabo, são inimigos da classe operária e da revolução socialista.
Seguimos denunciando os reformistas, revisionistas, renegados e todos os que usam o nome do comunismo como trampolim de alpinismo social!

P.S.: Evitemos confusões

Como já foi dito antes, a pretensão do autor era dizer o “milagre”, sem dar, entretanto, nome ao “Santo”. O exercício consistia em deixar “a cargo do leitor” decifrar “a charada” já que o tipo social não é citado nominalmente.
Ocorre que, tem coisa que nos dão sensação de já se ter vivido. Aliás, isso também já foi dito! Mas, evitemos confusões…

…As pistas, a carapuça e o dono da cabeça

Afim de evitar confusões e mal entendidos, o Tartufo² dessa pantomima viveu a tragédia dos tempos da ditadura militar. No parlamento, se destacou e ganhou fama nacional. Com o fim do socialismo na URSS e queda do Muro de Berlim, mudou do vinho para a água. Mais à direita. Desfrutou de longo reinado até perder a hegemonia da direção partidária. Ao perder o controle do curral, não demorou a chutar o pau da barraca e mais uma vez fundar outro partido. Numa crescente guinada cada vez mais acentuada à direita.
A metamorfose jogava no lixo a história de resistência durante a ditadura. As razões disso a ausência de Marx explica mais do que presenças em sofás de terapias freudianas. Hoje o ancião vive o ocaso da existência, no ostracismo. Vez por outra, tenta ressurgir das cinzas. E piora o ruim com declarações públicas que fazem Olavo de Carvalho parecer filósofo profundo e de esquerda. A falta de coerência marca um fim mais triste que o de Policarpo Quaresma.

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Dito isso, cumpre advertir o leitor mais atento: qualquer semelhança é mera coincidência!

Notas

1 – Natanael Sarmento é professor de Direito aposentado. Doutor em História. É autor de obras como “Marxismo e Direito” e “Às armas camaradas”, este último sobre a insurreição comunista de 1935 que tem dois volumes. Teve o primeiro contato com o comunismo através de seu pai, Salomão Sarmento, que foi preso político do PCB, onde Natanael passou a militar até o congresso que pôs fim à legenda. Atualmente, Sarmento é membro do Diretório Nacional da Unidade Popular (UP).

2 – ⁠Indivíduo falso, hipócrita.