RESOLUÇÃO POLÍTICA DO PARTIDO UNIDADE POPULAR FRENTE À CONJUNTURA AGOSTO DE 2021

RESOLUÇÃO POLÍTICA DO PARTIDO UNIDADE POPULAR FRENTE À CONJUNTURA AGOSTO DE 2021

A maioria da população brasileira vê suas condições de vida piorarem a cada dia frente a pandemia de COVID-19, às medidas das elites econômicas do país e, em especial, ao governo anti-povo e fascista de Bolsonaro.

A tragédia social de quase 600 mil mortos pela COVID seria evitável, mas o governo se negou, desde o início da pandemia, a direcionar recursos para o SUS. Para piorar, Bolsonaro fez propaganda contrária ao uso de máscaras; não aplicou testagem em massa; demorou para aceitar uma política de auxílio emergencial (sendo vencido pela pressão social), porém investiu somente R$ 400 bi do orçamento para tal, enquanto os Banqueiros receberam 3 vezes mais, R$ 1,2 Trilhão; atrasou a compra de vacinas e permitiu esquemas de corrupção dentro do Ministério da Saúde; não bastasse tudo isso tripudia do drama das famílias das vítimas.

Por tudo isto, afirmamos que Bolsonaro e seu governo de generais e de banqueiros são os verdadeiros culpados pela morte da maioria dos nossos entes queridos em meio à pandemia.

Além disso, vem se aprofundando a crise econômica e social no Brasil. O governo promove a entrega de recursos naturais, ataca as comunidades indígenas e quilombolas e coloca à venda nossas estatais. Realizou a reforma da previdenciária com a velha promessa de empregos, que não chegam. Agora, Paulo Guedes e sua equipe econômica querem aprovar uma Reforma Administrativa para acabar com o serviço público. Enquanto isso o povo trabalhador vive um quadro dramático: são 14,8 milhões de desempregados; 100 milhões vivem em insegurança alimentar; trabalhadores que não conseguem pagar os aluguéis sofrem despejos desumanos em plena pandemia.

Enquanto isso os privilégios dos banqueiros, latifundiários, generais e deputados do “centrão” seguem sendo garantidos, a exemplo do teto salarial “duplo” concedido pelo governo para Bolsonaro e seus ministros generais (que passaram de R$ 33 mil para R$ 70 mil mensais) e dos R$ 3 bilhões em emendas especiais para deputados aliados como forma de se blindar do impeachment.

Não bastasse esse quadro de forte rejeição popular, Bolsonaro e generais traidores da constituição conspiram para um golpe armado para instalar uma ditadura na qual possa governar com plenos poderes e calar os que se levantam contra o regime capitalista de exploração, corrupção e dependência em nosso país. O fascismo brasileiro é um capacho dos interesses das multinacionais estrangeiras e do imperialismo dos EUA.

POVO NAS RUAS CONTRA BOLSONARO VIROU A CONJUNTURA

É inegável o papel cumprido pela intensa jornada de lutas e protestos que mobilizou milhões às ruas, em mais de 500 cidades no Brasil e no mundo nos meses de maio, junho, julho e agosto. As manifestações foram a principal causa do aprofundamento da rejeição de Bolsonaro e pautaram a necessidade de derrubada do governo, mostrando ainda a indignação popular contra as medidas impostas pela burguesia brasileira.

Para impulsionar este processo foi necessário enfrentar o fascismo raivoso do bolsonarismo, mas também a postura conformista dos setores que esperam por uma “solução” nas eleições de 2022. Também tentam recuperar espaço os “arrependidos” setores de direita, mas que no fundo defenderam e defendem as políticas ultraliberais que dão sustentação ao fascista no poder.

Compreendemos que os setores da esquerda que defendem uma política para o povo trabalhador não podem abrir mão da independência de classe e priorizar acordos eleitorais com a direita liberal que foi protagonista do golpe em 2016 e de reformas anti-povo nos últimos anos. O fascismo e o neoliberalismo são duas faces da mesma moeda, pretendem massacrar os trabalhadores e despejar nas costas do povo brasileiro a crise, para, assim, manter os lucros dos bilionários.

Nosso caminho é a organização e ampliação das lutas populares, aprofundando a revolta popular e apontando os verdadeiros responsáveis pela tragédia que vivemos no nosso país. Vamos multiplicar as ocupações urbanas, as lutas estudantis, os enfrentamentos antirracistas, o combate ao machismo, as mobilizações contra a carestia, greves e paralisações por salários, contra as demissões e as retiradas de direitos. Organizar grandes greves e gigantescas manifestações para derrubar esse governo pelas ruas é a única saída favorável aos trabalhadores.

Assim poderemos alterar a correlação de forças pelo FORA BOLSONARO! E não só derrubar o governo fascista, mas, ao mesmo tempo, impulsionar a luta pela revogação das reformas contrárias aos trabalhadores realizadas no período golpista, bem como a suspensão das privatizações.

O grito dos excluídos do dia 7 de setembro cumprirá papel decisivo para mudar a situação política do país. É necessário mobilizar milhões para repudiar as recentes posturas golpistas. Vamos com O Povo na Rua derrubar o fascismo!

A UNIDADE POPULAR É INSTRUMENTO DO POVO TRABALHADOR

Vivenciamos uma brutal crise econômica, política e social do capitalismo, que coloca os povos da América Latina e do mundo em gigantescas ondas de revolta social. Esta luta se espalhou mais recentemente no Equador, Chile e Colômbia, que enfrentaram as políticas neoliberais e nos inspiram para a luta contra o capitalismo. Em nosso país não poderia ser diferente

O partido Unidade Popular – UP – pelo Socialismo, teve papel determinante no processo de convocação da vitoriosa jornada de lutas dos últimos meses. Em que pese ser o partido legal mais recente do país e com estrutura menor frente a organizações hegemônicas de esquerda, a UP construiu com outras organizações a articulação POVO NA RUA – FORA BOLSONARO que defende e expressa em seu conteúdo o necessário caráter de massas da luta contra o governo.

Os recentes protestos de 11 e 18 de agosto contaram com empenho da militância da Unidade Popular que em muitos lugares foi o maior bloco mobilizado, mostrando o compromisso da organização com a continuidade do enfrentamento político nas ruas rumo ao 7 de setembro pelo Fora Bolsonaro.

Agora cabe a nós realizar uma grande agitação política que eleve a consciência da nossa classe. Deste modo, nosso partido pretende se consolidar como instrumento poderoso da luta de classes, capaz de dar conteúdo à indignação popular.

O crescimento da influência da UP na construção de um movimento sindical que rompa a paralisia e o burocratismo é tarefa urgente e deve contar com empenho geral do partido.

Às vésperas do II Congresso Nacional da UP, que se realizará nos dias 12, 13 e 14 de novembro de 2021 em São Paulo, se impõe a responsabilidade histórica de fortalecimento e ampliação do nível de organização do partido para levar a cabo a materialidade do programa socialista da UP como alternativa para superação do capitalismo no Brasil.