Resolução do Diretório Nacional da Unidade Popular

Resolução do Diretório Nacional da Unidade Popular

Vivemos a maior crise política econômica desde a redemocratização do país, além da maior crise sanitária de toda a história. Mais de 500 mil pessoas já morreram de covid, graças a política neoliberal e fascista de Bolsonaro. A crise social também se agrava, o desemprego atinge 14,4 milhões de trabalhadores brasileiros, o pior número desde 2012. Segue a quebradeira de micro e pequenas empresas e o auxílio emergencial deixou de ser R$ 600,00, para ser R$150,00 ou em poucos casos R$ 375,00 Não bastasse, 59% das famílias não tem segurança alimentar, pois a carestia, a ausência de emprego e a desigualdade social não permitem.

Parte da burguesia que faz oposição a Bolsonaro não tem divergência econômica ou ideológica, na verdade, trata-se de uma disputa pelo controle do estado e a administração dos privilégios. Os generais, por outro lado, passam a ideia de uma aparente divisão em relação ao governo Bolsonaro, mas é apenas uma tática pare estimular a confusão. Não podemos ter ou alimentar qualquer ilusão com esse setor. Trata-se de um comportamento que visa, de um jeito ou de outro, ocupar os espaços do Estado para garantir o luxo do alto comando das forças armadas. São mais de 7 mil militares no governo que não estão dispostos a abrir mão desse espaço na estrutura do Estado. Assim, as Forças Armadas se comportam como situação e oposição ao mesmo tempo.

A história das Forças Armadas no Brasil é uma história de golpismo. Desde o fim da Ditadura Militar, estavam na defensiva e no ostracismo, mas desde a Intervenção Militar no Haiti e operações de “Garantia de Lei e Ordem” como nos jogos panamericanos-2007, voltaram a ativa, sendo homenageados pelos governos da social democracia inclusive com destaque na imprensa.

Por outro lado, alguns setores da esquerda apostam novamente na conciliação de classes, propondo aliança com a burguesia. Rejeita-se assim a possibilidade de medidas que ataquem a raiz dos problemas da sociedade brasileira, reduzindo um futuro governo apenas a condição de “melhor administrador” do Estado burguês, cedendo a políticas neoliberais. Muitas vezes chegam a desmobilizar as lutas pela derrubada do governo Bolsonaro para que tudo se resolva na eleição de 2022.

Trata-se de um grave equivoco, pois estamos enfrentando um governo de fascistas. Bolsonaro, em que pese seu enfraquecimento político, cria um clima de golpe, já coloca em suspeição a possibilidade de derrota eleitoral, defendendo o voto impresso e tenta ganhar base social com motociatas e apelos antidemocráticos, visando tensionar sua base para um clima constante de guerra.

A Unidade Popular deve jogar todo o seu peso nas lutas de rua. Para isso, é necessário fortalecer a articulação Povo na Rua e realizar uma grande Assembleia Nacional no dia 23 de Junho, divulgando ao máximo a sua realização. É preciso reforçar a mobilização nos estados e cidades. Contribuindo assim para a mobilização nacional unitária das frentes, movimentos e partidos para a próxima data nacional de lutas.

O nosso partido cumpriu um papel absolutamente decisivo na retomada das mobilizações de rua. Fomos a organização que tomou a dianteira na construção da convocação do dia 29 de maio, na criação de uma articulação com outras organizações da esquerda e na luta política para que o caráter dos atos não fossem eleitoreiros, unificando a luta da esquerda pelo Fora Bolsonaro. Mas isso não basta, é preciso intensificar esse trabalho, defender a massificação e a radicalidade das ruas, apontando para a construção de uma greve geral e uma marcha a Brasília. Aproveitemos esse momento para apresentar cada vez mais a UP, propagandear o nosso programa político e crescer o nosso partido.

Povo na rua e Fora Bolsonaro!

Governo da fome e do desemprego!

Por um governo popular!

Diretório da Unidade Popular – UP

21 de Junho de 2021