Nota do Diretório Nacional da UP sobre as manifestações do dia 13 e a continuidade das lutas pelo Fora Bolsonaro

Nota do Diretório Nacional da UP sobre as manifestações do dia 13 e a continuidade das lutas pelo Fora Bolsonaro

A realização do ato nacional no dia 13 de julho foi uma importante vitória da articulação Povo na Rua, das organizações, movimentos e partidos que a compõem e do conjunto das demais organizações sociais e sindicais que se dispuseram a construir esta mobilização. Os atos contaram com a participação de diversas categorias profissionais, além de sem-teto, sem-terra e estudantes, e tiveram dimensão nacional em plena terça-feira, acontecendo simultaneamente em 55 cidades, nas cinco regiões do país. Destaque para a mobilização nas cidades de Porto Alegre, Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro, Belém e Fortaleza, que tiveram maior expressão e participação popular.

Essa mobilização foi de extrema importância para manter o protagonismo das ruas na luta para derrotar o fascismo e comprovar que, apesar de difícil, grandes jornadas de lutas podem ser feitas sem a “permissão” ou vontade de setores que se julgam hegemônicos.

É importante reconhecer as dificuldades na construção desse ato nacional. A mais importante delas é a necessidade de as organizações ousarem mais no processo de construção de lutas como essa, de aprofundar sua relação e influência junto à classe trabalhadora e do povo. No entanto, é importante destacar que a construção dessa manifestação nacional enfrentou grande sabotagem da social-democracia e seus satélites, que adotam uma postura hegemonista. Mesmo convidadas, negaram-se a participar, evocando a “unidade”, para, na verdade, escamotear ou esconder sua enorme submissão aos acordos eleitorais.

Mas, apesar das dificuldades enfrentadas, os atos do dia 13 de julho marcaram a presença de um novo campo de luta no Brasil.

Sobre a continuidade da luta pelo Fora Bolsonaro, sua ampliação e força

Depois de quatro grandes manifestações nacionais (13/5, 29/5, 19/6 e 03/7), ainda há aqueles que falam que a luta está esfriando ou de um suposto cansaço. Mas este não é o sentimento dos setores mais ativos das massas. Talvez seja o de alguns dirigentes, que desejam, equivocadamente, postergar a luta para 2022, antecipando o processo eleitoral, ignorando que historicamente o fascismo foi derrotado pelas ruas e pelo enfrentamento direto, e não pelas urnas ou instituições burguesas.

Vivemos um período de manifestações pujantes, que se iniciaram com algumas milhares de pessoas, sendo que as duas últimas atingiram mais de um milhão de pessoas em cada uma, sem contar o gigantesco apoio popular nas mídias sociais. Até a grande mídia teve que noticiar estes grandes atos. O êxito das manifestações pode ser visto também na queda vertiginosa de popularidade do Governo Bolsonaro, demonstrado nas pesquisas mais recentes.

Alguns dos que dizem que as manifestações não vão dar certo já o fazem desde antes do primeiro ato, descrentes na luta do povo. Mas, como a prática dos atos já demonstrou, essas são a principal forma de pressão contra o governo. Na prática, estes setores temem que possa existir uma grande revolta social no país.

Todavia, a crise social e política se aguça e se acirra e a revelação de novos casos de comprovados e irrefutáveis atos de corrupção, onde a moeda de troca é a vida de centenas de milhares de brasileiros, o crescimento do desemprego, dos preços dos alimentos, a continuidade da crise sanitária e a baixa porcentagem de pessoas vacinadas (menos de 16% de toda a população brasileira recebeu as duas doses da vacina contra a Covid-19), está levando o país celeremente a uma situação de ingovernabilidade.

O Brasil caminha para uma realidade onde “os de cima já não conseguem meios de governar e os debaixo já não aceitam ser governados pelos de cima” célebre definição do grande revolucionário Vladimir Lênin para momentos de grandes crises políticas. Exemplo disso é que Bolsonaro teve que se esconder em um hospital, vitimizando-se para buscar diminuir seu desgaste político e levantando a golpista tese do voto impresso. Trata-se de parte do plano dos generais orientados pela CIA, que cada dia encontra menos ecos na população e até mesmo nas instituições, haja visto às reações dos presidentes dos poderes a essas tentativas. Deste modo, consideramos que as manifestações só devem parar com a derrota do fascismo.

Para que a esquerda no Brasil possa influenciar ainda mais nos acontecimentos e avançar para ampliar a força das manifestações e a adesão de mais pessoas às ruas, não devemos fazer uma aliança com as forças políticas de direita que fazem “oposição” ao Governo Bolsonaro, reforçando a chamada conciliação de classes, que foi um dos principais motivos da derrota de parte da esquerda nos últimos anos.

Para avançar, no sentido da derrubada desse governo que já balança e se enfraquece, é necessário organizar junto aos trabalhadores e trabalhadoras, a partir da base, uma grande Greve Geral, parando a produção e circulação de mercadorias. Uma greve que de fato pare o país, envolvendo os setores estratégicos, como aviação, aeroportos, trens, metrôs, ônibus, petroleiros, eletricitários, garis, motoboys, call centers, as fábricas, e que balance os alicerces do governo e do sistema que ele representa. Defendemos isto porque é necessário atacar não apenas Bolsonaro, mas os setores das classes dominantes que o mantém.

Como uma atividade dessa dimensão não pode ser realizada da noite para o dia, é necessário que toda a esquerda se una, assim como foi para a preparação da última grande e vitoriosa Greve Geral que aconteceu no Brasil em 28 de março de 2017. Importante lembrar que a greve de 2017 conseguiu derrotar a Reforma da Previdência do Governo Temer e mobilizou entre 35 e 40 milhões de trabalhadores e trabalhadoras.

Sem perda de tempo, é necessário iniciar imediatamente o debate em todos os sindicatos, ampliar essa discussão para o conjunto das categorias profissionais, federações, confederações de trabalhadoras e trabalhadores. Precisamos, consequentemente, iniciar uma grande propaganda desse processo de construção, realizar assembleias em todas as categorias, ampliar as paralisações, realizar piquetes, construir no imaginário da classe trabalhadora que esse é o caminho.

Deste modo, sugerimos o seguinte programa mínimo para ser levado às categorias e às ruas e que sirva como pauta da Greve Geral:

  1. Derrubada do Governo Bolsonaro;
  2. Revogação das reformas trabalhista e da previdência, além da Emenda Constitucional 95 (conhecida como PEC da morte, que congelou investimento em saúde e educação por 20 anos);
  3. Contra a destruição dos serviços públicos: barrar a reforma administrativa e as privatizações de Guedes e dos banqueiros;
  4. Aceleração da vacinação do conjunto da população brasileira;
  5. Criação de frentes emergenciais de trabalho a partir de todos os municípios do país que garantam auxílio emergencial no valor mínimo de um salário mínimo;
  6. Pelo fim do genocídio e violência contra o povo pobre, negro e indígena.

Do ponto de vista trabalhista, a pauta da Greve Geral por nós proposta é de retorno ao estágio anterior ao golpe institucional realizado pelas classes dominantes no período de 2015/2016.

Do ponto de vista social, é importante que possamos dar um passo à frente para mobilizar a população desempregada e apontar propostas imediatas para acabar com a fome, o desemprego e a crescente violência social a que está submetida a população nas periferias, em especial o povo negro e indígena.

A construção da Greve Geral, deve ser combinada com o crescimento das manifestações, ampliando-as com a participação de mais trabalhadores e trabalhadoras, com a realização de mobilizações nas periferias, nas cidades de interior, aumentando a quantidade de cidades que realizem atos.

Portanto, além das centrais sindicais, para construção da Greve Geral é necessária ampla unidade dos movimentos populares, partidos, organizações sociais do campo e da cidade, movimento indígena, negro, de mulheres, a juventude, religiosos, população LGBTQIA+ e todos e todas que tenham compromisso com a derrubada desse governo.

Não temos nenhum minuto a perder! Povo na Rua e Fora Bolsonaro!

Vamos às ruas, às categorias, à classe trabalhadora e ao povo!

GREVE GERAL PARA DERRUBAR O GOVERNO BOLSONARO! PELO PODER POPULAR!