A aliança eleitoral da socialdemocracia com o neoliberalismo não pode ser imposta aos atos de rua

A aliança eleitoral da socialdemocracia com o neoliberalismo não pode ser imposta aos atos de rua

Não é novidade que a esquerda social-democrata tem como objetivo preferencial estabelecer uma aliança eleitoral com partidos da direita neoliberal, mesmo estes partidos sendo responsáveis pelas privatizações, pela retirada dos direitos trabalhistas e destruição dos direitos sociais. Os social-democratas pretendem retirar Bolsonaro pela via exclusivamente eleitoral, sem apresentar sequer um programa mínimo de esquerda.

Consideramos esse caminho politicamente equivocado, em que pese o direito da social-democracia adotá-lo publicamente. No entanto, não concordamos que isso seja imposto às ruas e às manifestações pela derrubada do governo Bolsonaro, como foi tentado no ato do dia 3 de julho.

As sondagens iniciaram nos meios de comunicação. Membros do PSDB e do MBL diziam que pretendiam ir aos atos, sendo autorizados e incentivados por parlamentares social-democratas. Perguntaram-nos se concordaríamos com a participação do PSDB nos atos, respondemos que não estávamos de acordo em dar espaço no caminhão de som da campanha, visto que não são aliados, portanto, não teria consenso na Campanha Fora Bolsonaro.

Ressaltamos que desde o princípio foi definido, em comum acordo, que os atos não seriam utilizados para pré-lançamento de campanhas eleitorais e que os atos não deveriam ser contaminados pelas táticas eleitorais dos partidos. Defendemos e mantemos erguida essa bandeira, pois consideramos que a necessidade atual do nosso povo é a derrubada imediata do governo e não a antecipação de campanhas eleitorais com vistas à 2022.

Além do mais, é preciso deixar claro que não existe consenso no campo da esquerda popular de que devemos tratar golpistas neoliberais como aliados. Não concordamos em dar espaços nem voz para esse setor na Campanha Fora Bolsonaro. Seria um grande oportunismo dar espaço a quem, em 2016, discursava pelo golpe e pelo congelamento dos recursos para a saúde e educação. Ainda hoje, defendem no congresso nacional as privatizações e os ataques aos/às servidores/as públicos/as e a toda a classe trabalhadora.

Dessa forma, a luta de classes não admite conciliação com a grande burguesia. Nós, como socialistas e revolucionários/as, defendemos os interesses e objetivos da classe trabalhadora, que são diametralmente opostos aos interesses e objetivos do campo neoliberal, representante da grande burguesia. A aliança que necessitamos é da classe trabalhadora da cidade e do campo, a imensa maioria da população. Uma aliança entre os/as explorados/as e os/as que sofrem diante da ganância da burguesia. Essa é a aliança social capaz de derrotar o fascismo.

Assim, acreditamos que a unidade do campo popular é o mais importante no momento. Necessitamos atrair amplas camadas da classe trabalhadora, fortalecendo as manifestações de rua, realizando paralisações, greves e construindo uma greve geral. Para isso, é fundamental fortalecermos a unidade no campo da esquerda e entre os/as trabalhadores/as.

Por isso, lutaremos para que os atos de rua, as greves e revoltas populares deem o tom da luta de classes no Brasil. Essa luta sendo vitoriosa, derrotará o fascismo e alterará a correlação de forças, o que nos permitirá conquistar os direitos dos/as trabalhadores/as, a retomada de investimentos sociais e a construção de um país independente e soberano.

ABAIXO O FASCISMO!

PELO PODER POPULAR E O SOCIALISMO!

Executiva Nacional da Unidade Popular

05 de Julho de 2021