A Esquerda deve construir uma candidatura que unifique o povo contra o fascismo

Frente à conjuntura atual e ao debate em torno da disputa eleitoral pela prefeitura da cidade do Rio de Janeiro, a direção estadual da Unidade Popular no RJ apresenta a seguinte análise:

1 – Seguindo as orientações expressas nas resoluções nacionais do nosso partido, entendemos que as principais tarefas da militância da UP na capital do Rio de Janeiro e em todo o país são: a) construir a luta unitária contra o fascismo e o possível golpe militar preparado por Bolsonaro e seus generais traidores, para instalar uma ditadura que fortaleça a política pró-capital financeiro em nosso país; b) estar junto ao povo organizando a defesa da vida contra a COVID-19, nas redes de solidariedade das favelas, e na resistência da nossa classe às medidas que jogam a conta da crise no povo trabalhador; c) fazer uma grande agitação e propaganda, que eleve a consciência de nossa classe sobre a necessidade de construção do Poder Popular e do Socialismo em alternativa a este sistema.

2 – Porém o debate eleitoral segue presente, já que não há proposta de adiamento das eleições para além deste ano. Nesse sentido, compreendemos que estas eleições municipais se revestem de um caráter diretamente ligado à conjuntura nacional. De fato, o Rio de Janeiro tem um peso determinante na disputa política do país. Aqui foi onde o fascista Bolsonaro teve 67% dos votos válidos e no qual vivemos um laboratório de genocídio do Estado contra pobres e negros, acompanhada pela ação presente de milícias ligadas aos aparatos de repressão.

3 – A cidade do Rio de Janeiro vive sob a prefeitura de Marcelo Crivella, um ataque sistemático à Saúde Pública, com permanentes cortes de pessoal e atrasos de salários. Da mesma forma, a Educação vive cortes de investimentos em infraestrutura e superexploração dos profissionais da área. A prefeitura exerce uma política de “toma lá, dá ca”, limitando as poucas ações de saneamento, limpeza e habitação à troca de apoio de algumas lideranças locais, atuando, assim, na desmobilização coletiva do povo trabalhador nos bairros e favelas. Para seus amigos, Rede Record ou dirigentes da Igreja Universal, estabelece privilégios, como o absurdo caso do tomógrafo da Rocinha, que, em vez de ir para um hospital, foi levada à sede da igreja correligionária do prefeito. Frente à pandemia da COVID-19, Crivella atua de forma anticientífica e defende o fim do isolamento no processo de crescimento do contágio e mortes pelo vírus.

4 – Por outro lado, a capital fluminense tem um histórico recente de lutas e mobilizações populares que apontam um rumo de esperança. No Rio de Janeiro, nos últimos anos, vimos trabalhadores da saúde, educação, garis, Cedaianos, comerciários, teleatendentes, petroleiros e a juventude estudantil sair às ruas. As mortes provocadas pela guerra aos pobres nas favelas resultaram em mobilizações, nais quais o morro tem descido para o asfalto.

5 – Não é por acaso que as duas últimas eleições para a disputa da prefeitura do Rio viram uma candidatura de esquerda chegar ao segundo lugar. Em 2012 e 2016, a chapa liderada por Marcelo Freixo (PSOL) obteve 28% contra Eduardo Paes e 40% contra Crivella, respectivamente. A candidatura do atual deputado foi desenvolvida sobre ampla unidade das esquerdas e outros setores democráticos, ganhando as massas populares em vários bairros. Construiu-se um programa que apontava contra as elites locais, como os empresários de ônibus e empreiteiros; chamava o estímulo da organização de base, com a proposta de conselhos de bairros.

6 – O acúmulo da atuação da esquerda na cidade do Rio e o momento de desgaste da imagem do fascista Bolsonaro colocam a possibilidade concreta de um vitória de um projeto popular e antifascista na Capital. Mesmo que não haja acordo entre todo o campo progressista para uma chapa única liderada pela esquerda na cidade, todos os partidos e organizações que compreendem essa necessidade devem se engajar na construção desse programa, respeitando o debate coletivo e em especial junto ao povo trabalhador.Por tudo isso, a Unidade Popular entende que a necessária unidade antifascista no Brasil tem mais chances de se consolidar com uma ampla campanha popular, democrática e de esquerda no Rio, mais ainda se consolidarmos uma vitória para a prefeitura, já que a cidade do Rio de Janeiro é determinante para a referência nacional na luta contra o fascismo.

FORA BOLSONARO!
POR UM GOVERNO POPULAR!ABAIXO O FASCISMO!

Diretório Estadual da Unidade Popular (UP) – pelo Socialismo no Rio de Janeiro